Diário do Centenário das Palavras Cruzadas em Portugal (2025) – Dezembro

3/12/2025
Diário do Centenário das Palavras Cruzadas em Portugal – Dezembro 2025
Dia 1

Comecei o primeiro dia do último mês do ano, feriado, a trabalhar (e muito), ainda a ter de terminar uma das tarefas de novembro. Conseguiu-se e é o que importa.

Ficaram várias "coisinhas" pendentes, veremos o que me reserva este mês.

Em termos de livros, o mês começa bem. Tive duas encomendas e uma delas acompanhada de Palavras Cruzadas Personalizadas. Viva!

Ah! Este será o último mês em que escreverei no Diário.

Dia 2

Enviei o formulário à pessoa que encomendou as Palavras Cruzadas Personalizadas, uma jovem de 25 anos. Na resposta fui brindado com algo que considero precioso:

"Bom dia, Paulo!

Espero que esteja bem!

Em primeiro lugar, quero dizer-lhe que adoro o seu trabalho para o Público, e estou muito ansiosa para receber o livro que encomendei! Os meus parabéns pelo excelente trabalho.

As palavras personalizadas serão um presente de todos os netos para o meu avô, que faz religiosamente as suas palavras cruzadas diariamente! O meu avô tem 88 anos e, todas as manhãs vai a pé até ao café, compra o Público e resolve as palavras cruzadas - é a rotina dele, faça chuva ou faça sol.

Durante este verão, ganhei também o “vício” (e que vício saudável!) de as fazer, e percebi que eram uma excelente forma de passar os intervalos do estudo para um exame de Direito para o qual estava a estudar. Gosto bastante das suas, pois aprendo sempre algo - seja um acontecimento das notícias do dia, seja uma palavra nova. Como tenho 25 anos, e passo o dia a ler textos pesados de Direito, a minha vontade de ler nos tempos de descanso acabou, infelizmente, por diminuir nos últimos anos - algo que sinto que teve impacto na qualidade do vocabulário que uso. As palavras cruzadas são uma excelente forma de voltar a ganhar destreza de vocabulário e enriquecer a minha linguagem!

Posto isto, dou-lhe de novo os meus parabéns e agradeço-lhe muito pelo trabalho que tem! Valorizo-o bastante!

Vou trocar ideias com os restantes netos, e irei preencher o formulário o mais brevemente possível.

Votos de uma excelente semana!"

Respondi-lhe e referi o que andava a fazer pelas escolas, onde tenho como mote "as palavras cruzadas fazem bem ao vocabulário e à ortografia". Na resposta:

"Sem dúvida alguma que ajudam imenso nesses aspetos! Até vou mais longe: ajudam-nos a recuperar palavras que, atualmente, são mais usadas em inglês (dou por mim, recorrentemente, a usar anglicismos - algo que, apesar de não ser problemático, é desnecessário); puxam pela nossa concentração e são um desafio, num momento em que andamos com cada vez menos capacidade de fazer uma tarefa até ao fim (pois estamos habituados a ter informação num milésimo de segundo com uma simples pesquisa).

Também dão origem a ótimos momentos de grupo! Dou por mim a passar um almoço inteiro a discutir com os meus pais uma certa palavra, ou a mobilizar dez amigos na praia para descobrir o que colocar linha oito.

Sim, o livro é para mim! Vai ser o derradeiro desafio (até porque ainda me considero principiante nisto), mas estou muito entusiasmada!"

Estes relatos tinham de ser publicados. As palavras cruzadas rejuvenesceram. Ponto.

Tenho uma das melhores profissões do mundo.

Até amanhã!

Dia 3

No dia da Literacia Mediática, fui até ao PÚBLICO para assistir à entrega dos prémios do Concurso Nacional de Jornais Escolares.

Durante o almoço, tive uma interessante conversa com pessoas do PNL.

Acharam estranho eu ter dito que os brasileiros têm uma relação muito diferente com as palavras cruzadas em comparação com os portugueses.

Perguntei: "Costumam ver amigos vossos a partilhar nas redes socias conteúdos relacionadas com as palavras cruzadas, por exemplo, a dizerem que estão a fazer palavras cruzadas?"

Pensaram um pouco e, de facto, nunca viram.

Disse-lhes que é normal vermos nas redes sociais brasileiros a dizerem que estão a fazer palavras cruzadas, inclusive jovens.

Penso que passa muito por terem a ideia de que só as pessoas mais velhas é que fazem palavras cruzadas. Já foi assim. Hoje não é assim. Tirando as minhas idas às escolas, o site é muito utilizado nas escolas e há muitos jovens universitários a fazerem palavras cruzadas.

As palavras cruzadas são transversais a todas as idades.

Sim, é um nicho e talvez pessoas mais jovens tenham "vergonha" em mostrar o gosto pelas palavras cruzadas, precisamente pela noção já referida. Não tenham "vergonha". São especiais por isso. E o nicho está a crescer.

Daqui a uns dias vamos ouvir falar do Dia das Palavras Cruzadas, dia 21 (a RTP até se engana nesta data e partilha-a em outubro - Já os alertei para o lapso), muitos esqueceram-se do Centenário em Portugal - é o que é.

Voltando à conversa com as pessoas do PNL, falámos sobre vocabulário, de aulas de Português e de livros. Falei-lhes do que tenho feito em relação a isso. Acharam muito interessante o exercício de anotar palavras durante a leitura para serem cruzadas e poderem ser feitas palavras cruzadas que poderão ser partilhadas entre grupos. É a conversar que surgem ideias simples que podem, realmente, serem úteis aos alunos.

Apagão foi eleita Palavra do Ano de 2025.

Dia 4

No Clube de Palavras Cruzadas da Biblioteca Municipal do Barreiro houve uma palavra que causou estranheza, iglu.

"Aprendi com «o», iglo".

Iglu, a casa dos esquimós, é com «u».

Sim, temos o Iglo, mas é marca de comida congelada.

Dia 5

Na Assembleia da República foi posta em causa a existência da série espanhola de animação "Sex Symbols", em particular o episódio "Transgénero". Foi ver. Achei interessante e levei o tema para a sopa de letras do PÚBLICO.

Dia 6

Nas palavras cruzadas do PÚBLICO, o Barreiro esteve em destaque:

"Rui (...): novo presidente da Carris". Solução: Lopo.

"(…) Rocks: capital dorock’n’roll enquanto festa popular (está de regresso)". Solução: Barreiro.

Fui até à Galeria do Onze, em Setúbal, para assistir à apresentação do (excelente) catálogo "ZÉ, SEMPRE O MESMO!", edição comemorativa dos 150 anos da criação do Zé Povinho, de Jorge Silva:

O lançamento deste catálogo marcou o encerramento da Festa da Ilustração de Setúbal, que, ao que parece, terá sido a última edição. Se tal acontecer, será, obviamente, muito triste.

A Festa encerrou oficialmente, mas a exposição de BD "O Cruciverbalista", com desenho de Paulo Novo e guiões meus, continua patente no Museu do Trabalho Michel Giacometti até ao início de janeiro.

Ah! No evento, vieram ter comigo:

"É o autor das palavras cruzadas do PÚBLICO, não é?".

Quis saber o nome deste cruzadista, professor de Matemática, que há muito me vê em eventos em Setúbal, mas que só agora falou comigo.

Dia 7

Na sequência de uma notícia do PÚBLICO, levei para as palavras cruzadas, pela primeira vez (e última), a palavra «marselfie» (Selfie com Marcelo Rebelo de Sousa). Uma palavra que está dicionarizada. Calculo que será uma palavra que cairá em desuso e diria mesmo que não foi assim tão usada. Dicionarizem mas é a palavra «cruziscar» (fazer palavras cruzadas). Isso é que era!

Dia 8

Hoje, nas palavras cruzadas: "Professor de Matemática que prefere as palavras cruzadas ao sudoku". ❤️

À conta disto, fui brindado como o seguinte mimo, no Facebook:

"Há alguns anos que acompanho o trabalho de Paulo Freixinho. Admiro-o pelo trabalho, pela persistência e pela divulgação da arte de cruzar palavras… e pela sua simpatia. A notícia de hoje provocou-me riso e grande comoção.  Não é que conheço esse “professor de matemática”, um verdadeiro cruzadista! Coincidências boas da vida."

Dia 9

Passei a manhã a embalar livros e fui aos Correios.

Hoje foi terça-feira, mas antecipei o Clube de Palavras Cruzadas na Biblioteca Municipal do Barreiro para me precaver de uma possível greve na quinta-feira.

A peripécia que tive nos Correios deu o mote para o exercício em que cruzamos palavras relacionadas com um tema.

Dia 10

Fiz um vídeo para alertar para o último dia da Campanha de Natal na qual o meu livro, "100 Sem Repetir", pode ser adquirido com desconto:

Finalmente, pus este Diário em dia (estava com um atraso de uma semana...

Até amanhã!

Dia 11

A Campanha de Natal correu melhor do que o esperado. Da edição de 1000 livros do "100 Sem Repetir", restam menos de 80 exemplares. São os tais três anos necessários para vender 1000 livros de palavras cruzadas em Portugal. Bem que poderia demorar menos tempo. Penso que não voltarei a fazer edições de 1000 livros.

Dia 12

Estive deste as 7h a tratar das primeiras Palavras Cruzadas Personalizadas encomendadas para serem prendas de Natal. Demorei duas horas e meia a criá-las (mais coisa menos coisa). Estão dedicadas a um avô de 96 anos que faz religiosamente as minhas palavras cruzadas do PÚBLICO. Começam pela pista com a qual foi surpreendido, há dias, enquanto fazia as referidas palavras cruzadas. A base destas palavras cruzadas são palavras e pistas criadas pelos netos. Destaco a seguinte pista, para a palavra «assobio»:

"Som produzido pelo Avô Zé que é uma memória de infância dos netos."

É bonito.

Dia 13

A coisa mais bonita que disseram sobre mim, na presença da minha filha mais nova, foi: "O teu pai nunca vai morrer"...

Valter Hugo Mãe é referido (cantado) pelo brasileiro Rubel, na canção "Noite de Réveillon".

É a imortalidade elevada a um outro nível.

Que coisa tão bonita:

Dia 14

Domingo é, para mim, dia de trabalho, mas este foi mais "puxadinho". Não me deitei enquanto não criei as palavras cruzadas dedicadas à árvore de Natal do CACI Sado, nas quais cruzei as palavras que decoram a árvore.

Dia 15

Levantei-me cedinho, sem despertador. Sonhei que tinha um erro nas palavras cruzadas - Bierna em vez de Berna - e estar na cama para ter sonhos destes, mais vale levantar-me. Foi o que fiz. Enviei o trabalho que tinha de enviar e fui para Setúbal.

A manhã foi (muito) bem passada no Museu do Trabalho Michel Giacometti, onde assisti ao evento "Natal com Todos" e voltei a estar com as pessoas do CACI Sado da APPACDM Setúbal (pretendo apoiá-los)

Publiquei as palavras cruzadas inspiradas na árvore de Natal criada pela referida instituição.

Dia 16

Fui aos Correios enviar a última grande remessa de livros antes do Natal, depois de ter passado grande parte da manhã a embalá-los.

Dia 17

Para além do trabalho regular, criei as palavras cruzadas para o boletim do PÚBLICO na Escola 7.

Dia 18

Em 2025 publiquei 40 passatempos no site (palavras cruzadas e sopas de letras), que deram origem a mais de 120 mil visualizações.

Pretendo publicar 41 (palavras cruzadas dedicadas ao Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal). Veremos se tenho tempo para isso...

Dia 19

Na prática, a próxima semana terá dois dias. Vai ser bonito, vai...

Dia 20

Criei umas Palavras Cruzadas Personalizadas (mesmo em cima do Natal) e fiz os trabalhos mensais: Portugal Post (Alemanha) e Selecções.

Dia 21

Hoje, um pouco por todo o mundo, celebrou-se o Dia das Palavras Cruzadas.

O Marco Neves assinalou essa efeméride e deu-me os parabéns. O Marco Neves é uma pessoa muito especial.

Marco Neves e o Dia das Palavras Cruzadas com referência a Paulo Freixinho

Que bela prenda de Natal!

Dia 22

A primeira "semana de dois dias" que tentarei transformar em três ou quatro.

Vai ser bonito, vai...

Fechei o mês, no que diz respeito aos trabalhos mensais (vá lá, já foi bom!).

Dia 23

Enviei as Palavras Cruzadas Personalizadas encomendadas por uma jovem que as ofereceu ao avô e que comprou o meu livro para se iniciar nas lides cruzadísticas.

Antecipei o Clube de Palavras Cruzadas na Biblioteca Municipal do Barreiro. Levei bombons para partilhar.

Recebi um porta-chaves feito à mão em forma de mocho e uma garrafinha de vinho branco Quinta de Alcube (aproveito para dizer que não tenho o hábito de beber bebidas alcoólicas, bebo apenas por cortesia, em ocasiões especiais).

Dia 24

Levantei-me cedinho e aproveitei para trabalhar antes de ir ajudar a amassar as filhós. É tradição na nossa família.

Já agora:

Filhó - Filhós

Filhós - Filhoses

Sim, tenho palavras cruzadas dedicadas a este tema:

Plural de filhó e singular de filhoses

Ah! O PÚBLICO não sai amanhã em papel, mas no online terão passatempos (palavras cruzadas e sopa de letras). É a minha prenda para os cruzadistas.

Feliz Natal!

Dia 25

O Dia de Natal foi passado em família, mas levei o computador atrás. É o que é. Aproveitei algumas palavras que foram faladas durante o almoço de Natal: caruma, imo, Estocolmo e soneca.

O Natal já passou. Viva!

Dia 26

‪Vendi um livro. Não esperava vender nada até ao final do ano. Viva!

De uma edição de 1000 livros, restam 70.

Vai ocorrer uma alteração muito importante na gestão do meu site e, consequentemente, na edição dos livros. Depois conto.

Dia 27

Sábado. O dia disponível para tratar de coisinhas extras.

"Não vais arranjar a persiana?".

Lá está, o dia que tenho para coisinhas extras.

(vou aproveitar esta para uma tira da BD "O Cruciverbalista".

Dia 28

Se fiquei admirado por ter vendido um livro no dia 26, hoje a admiração foi a dobrar. Vendi um kit "Livro + Caneca". Uau!

Tive mais uma das minhas ideias "idiotas". Vou fazer um estudo relacionado com as palavras utilizadas, em 2025, nas palavras cruzadas do PÚBLICO, afinal, o ano do Centenário das Palavras Cruzadas em Portugal. Acho que ficará um documento interessante para o futuro e servirá para ter uma ideia das palavras que preciso de pôr a "descansar". O mês de janeiro já está e, curiosamente, a palavra mais utilizada, em 31 dias, foi AM (saiu oito vezes).

Dia 29

E lá entrámos na última semana do ano. Outra semana curtinha que tentarei esticar.

Estive quase a manhã todo ao telefone com o Rui. Como já revelei, vai haver alterações na gestão deste site.

Quanto ao estudo das palavras utilizadas nas palavras cruzadas do PÚBLICO em 2025, fevereiro também já está. Nenhuma palavra se destaca, mas há várias palavras de duas letras que saíram cinco vezes (só as revelo quando publicar o estudo). Curiosamente, «terras raras» (terrasraras) saiu duas vezes.

Dia 30

Hoje não houve tempo para "estudos", mas consegui pôr este Diário em dia. Aliás, vou entrar no dia 31 a tratar deste Diário que terminará com o final de 2025.

Dado que trabalho no sótão da minha casa, isolado do mundo, utilizo as redes sociais para quebrar esse isolamento.

No Facebook tenho a minha maior rede de contactos, mas redes como a Bluesky servem para uma utilização mais frequente, aliás, serviu para pôr em dia este Diário, pois é onde vou registando o que de mais relevante me vai acontecendo. Amanhã, nas palavras cruzadas do PÚBLICO, vão aparecer duas palavras sugeridas através da rede da borboleta azul: Saruga e oxalá.

Dia 31

Último dia do ano e último dia do Diário do Centenário das Palavras Cruzadas em Portugal.

Dado que, para mim, até dia 3 de junho de 2026, dia em que as palavras cruzadas em Portugal farão 101 anos, ainda estaremos a comemorar o Centenário, ponderei continuar a escrever neste Diário. Ponderei, mas fiquei-me pela ponderação. Seria mais uma coisa que me prenderia. Quero ter tempo para outras coisas.

Em 2025 não consegui parar para me dedicar a um próximo livro. Em 2026 será!

1:30 do dia 31. Estive mais de uma hora a escrever neste Diário, que em dezembro, foi mais um semanário.

Desafiaram-me um dia a escrever a história das palavras cruzadas em Portugal. Estou ainda a fazê-la. Se um dia alguém quiser escrever sobre as palavras cruzadas em Portugal, tem aqui uma boa fonte de inspiração.

Irei continuar a escrever no blogue deste site, mas não com a "obrigação" diária.

Ao fim de 365 dias, este Diário termina aqui.

Foi um gosto.

Que 2026 seja um bom ano para as palavras cruzadas!

Adenda: (2025, em termos de trabalho, foi o meu melhor ano).

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